segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mimos..


Cacém, 12h30, algures num bairro social. Data irrelevante.
O meu estômago rosnava a pedir alimento e nada deixava antever o que se estava prestes a passar.
Saibam desde já que não desfruto de qualquer prazer sádico em assistir a cenas destas. Admito, contudo, que não evitei a lágrima, comovido pelo sucedido. (e vá.. talvez até tenha achado alguma piada também) Há quanto tempo!!...
Vamos então a este momento nostálgico que mostra que há coisas nunca mudam e, embora este não seja grande (ou sequer pequeno) exemplo de humanidade, ainda bem.
Passa à minha frente uma criança numa correria desenfreada passeio fora, subitamente interrompida pela tremenda palhaça que acabaria por dar, tal a dificuldade das suas curtas e tenras perninhas em acompanhar a vontade de galgar calçada, desmontando-se toda chão fora como um boneco de lego.
Eis que surge, num ápice, a progenitora de posse da pequena criatura para a socorrer e a encher de mimo! Boa, mãe! Pensarão vocês. Não.
A senhora teleportou-se para junto da criança que chorava e berrava como um cabrito, de facto, mas para a sacudir como se de um pano do pó se tratasse e, de seguida, lhe aplicar uma valente sova.
Ora toma lá, para não teres 2 anos e quereres fazer coisas próprias da tua idade, como correr desalmadamente, sem qualquer destino ou propósito!
Sempre que assistia a um cenário destes questionava-me sobre o que motiva uma mãe a agir desta forma. Continuo sem chegar a qualquer conclusão... Se alguém tiver ideia, aceito sugestões!
Então já não basta ao pequeno ser a queda e a dor infligida pela mesma, vem ainda a senhora besta de sua mãezinha arrear no indefeso? 
 Pois é.. Há pessoas que claramente deviam ter um cão, ao invés duma criança, sendo que este já vem munido não de duas, mas 4 (!!!!) magnificas patas, conferindo-lhe maior tracção e capacidade de se manter em pé, mesmo com poucos meses de vida e em solos irregulares, devido ao superior atrito!
Que teria acontecido se este menino tem alçado uma das suas ainda tortas perninhas e se aliviasse no pneu dum carro? Às tantas ainda recebia uma festa na nuca e, quem sabe, um biscoito, em vez duma bolachada!..