Cacém, 12h30, algures num bairro social. Data irrelevante.
O meu estômago rosnava a pedir alimento e nada deixava
antever o que se estava prestes a passar.
Saibam desde já que não desfruto de qualquer prazer sádico
em assistir a cenas destas. Admito, contudo, que não evitei a lágrima, comovido
pelo sucedido. (e vá.. talvez até tenha achado alguma piada também) Há quanto tempo!!...
Vamos então a este momento nostálgico que mostra que há
coisas nunca mudam e, embora este não seja grande (ou sequer pequeno) exemplo
de humanidade, ainda bem.
Passa à minha frente uma criança numa correria desenfreada
passeio fora, subitamente interrompida pela tremenda palhaça que acabaria por
dar, tal a dificuldade das suas curtas e tenras perninhas em acompanhar a
vontade de galgar calçada, desmontando-se toda chão fora como um boneco de
lego.
Eis que surge, num ápice, a progenitora de posse da pequena
criatura para a socorrer e a encher de mimo! Boa, mãe! Pensarão vocês. Não.
A senhora teleportou-se para junto da criança que chorava e
berrava como um cabrito, de facto, mas para a sacudir como se de um pano do pó
se tratasse e, de seguida, lhe aplicar uma valente sova.
Ora toma lá, para não teres 2 anos e quereres fazer coisas
próprias da tua idade, como correr desalmadamente, sem qualquer destino ou
propósito!
Sempre que assistia a um cenário destes questionava-me sobre
o que motiva uma mãe a agir desta forma. Continuo sem chegar a qualquer conclusão...
Se alguém tiver ideia, aceito sugestões!
Então já não basta ao pequeno ser a queda e a dor infligida pela mesma, vem ainda a senhora besta de sua mãezinha arrear no indefeso?
Pois é.. Há pessoas que claramente deviam ter um cão, ao
invés duma criança, sendo que este já vem munido não de duas, mas 4 (!!!!)
magnificas patas, conferindo-lhe maior tracção e capacidade de se manter em pé,
mesmo com poucos meses de vida e em solos irregulares, devido ao superior
atrito!
Que teria acontecido se este menino tem alçado uma das
suas ainda tortas perninhas e se aliviasse no pneu dum carro? Às tantas ainda recebia uma festa na nuca e, quem sabe, um biscoito, em vez duma bolachada!..
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